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Ibovespa desaba e dólar sobe em quinta-feira de pânico no mercado de ações

Dia difícil para o mercado abre oportunidades de compra de ações de empresas em praticamente todos os setores da economia, avalia analista da Suno Research


São Paulo | 08/06/2018


Em um dia de muita variação, o Ibovespa fechou o pregão de ontem com uma queda de 2,98%, igualando o menor patamar da bolsa em 2018. Embora seja uma das maiores quedas do ano, o final do dia não foi o pior momento. Durante o pregão, o índice chegou a desabar 6,5% por causa do aumento dos juros futuros e do preço do dólar.

Dessa forma, o Ibovespa fechou a 73.851, mas chegou a bater 71.161, o menor patamar desde meados de novembro de 2017. A queda das ações acaba gerando um ciclo vicioso porque, com a baixa, muitos investidores acabam vendendo pois atingem seu limite de perda, o chamado stop loss, o que faz a pressão negativa aumentar.

A moeda americana fechou o dia cotada a R$ 3,92, mas chegou a superar a marcar de R$ 3,95, em seu maior nível desde março de 2016. Algumas casas de câmbio chegaram a vender dólar a mais de R$ 4,40.

Para segurar o mercado em meio à turbulência, o Banco Central e o Tesouro Nacional lançaram mão de uma operação compromissada, na qual o BC emitiu títulos com recompra marcada para daqui a nove meses. Com isso, retirou do mercado quase R$ 160 bilhões. A pressão foi suficiente para acalmar os ânimos durante a manhã, mas já no início da tarde o Ibovespa voltou a desabar.

Como a medida não foi suficiente, os investidores viram o preço de algumas ações derreter, como a Smiles, que caiu mais de 12%, e a Via Varejo, que passou dos 9%.

“A volatilidade do mercado foi intensa e isso, somado às quedas recentes da bolsa, fez abrir ótimas oportunidades de compra de ações em quase todos os setores da economia”, diz Tiago Reis, fundador e CEO da consultoria de investimentos Suno Research.

Cenário para o futuro

O dia conturbado deveu-se, em partes, ao cenário eleitoral nebuloso pelo qual o país deve passar. Isso se deve, principalmente, pela desconfiança quanto à continuidade da política de reformas e ao ajuste fiscal pelo próximo presidente. Isso porque os candidatos que aparecem liderando as pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) têm políticas econômicas que são uma icógnita.

Além disso, a Polícia Federal pediu a quebra do sigilo telefônico do presidente Michel Temer – que não foi concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin.

Por isso, os juros futuros subiram. A taxa DI com vencimento para junho de 2019 está em 8,26%, quase dois pontos percentuais acima da Taxa Selic. Isso torna o mercado instável porque pode fazer com que o investimento em renda fixa volte a ser atrativo, mesmo que não mais em patamares como no passado.

“Embora seja claro que, no longo prazo, investir em renda variável é a melhor opção para os investidores, muita gente pode se sentir atraída pela renda fixa em momento de juro alto e de insegurança na bolsa”, diz Reis, da Suno Research, que enfatiza que momentos em que o mercado está andando para trás são os que mais abrem oportunidades.



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